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Informe farmacêutico- atualização semanal

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The Economist _ Mercado de similares de medicamentos baseados em biotecnologia será dominado pelos grandes laboratórios; indústria já se prepara

3 de novembro de 2010

The Economist, 21 de outubro de 2010

Depois dos genéricos de medicamentos convencionais, agora é a vez dos similares de medicamentos biotecnológicos se tornarem uma grande oportunidade de lucro para a indústria farmacêutica, afirma a reportagem "Attack of the biosimilars" (Ataque dos biossimilares), publicada na edição de 21 de outubro da revista britânica The Economist.

O texto destaca que as drogas baseadas em biotecnologia atualmente respondem por cerca de um quinto das vendas mundiais de medicamentos; esse volume, no entanto, deve crescer a índices de dois dígitos à medida que o mercado de drogas convencionais diminua nos próximos anos, principalmente devido às patentes prestes a expirar.


Segundo a Economist, muitos desses remédios biotecnológicos garantem "enormes lucros" para suas fabricantes, já que alguns tratamentos chegam a custar anualmente US$ 100 mil (R$ 170 mil) ou mais. Um negócio classificado pela revista britânica como o "prenúncio" do que vai acontecer com o setor foi um acordo anunciado em 18 de outubro pela maior farmacêutica do mundo, a Pfizer. A parceria com a indiana Biocon a maior em biotecnologia do país asiático , diz a reportagem, compreende a venda de biossimilares de insulina; a ideia é que o desenvolvimento e produção do medicamento sejam feitos pela empresa da Índia, enquanto a Pfizer se encarregará das vendas.

Estratégias de mercado

Centralizar a venda ao mercado dessas cópias de produtos biotecnológicos que não são idênticas aos produtos originais é uma das novas estratégias da Pfizer, de acordo com David Simmons, presidente da farmacêutica, em entrevista à revista. Empresas de genéricos tradicionais já estão registrando bons resultados nesse mercado, afirma a reportagem; um exemplo é a Sandoz, braço de genéricos da Novartis, que vendeu US$ 118 milhões (R$ 200 milhões) em 2009. O presidente da Sandoz, Jeff George, afirmou à publicação britânica que as vendas cresceram 72% no primeiro semestre deste ano.

Já o maior fabricante de genéricos do mundo, a israelense Teva, classifica a entrada no mercado de biossimilares como uma "continuação natural" dos negócios; citando previsões do presidente da Teva, William Marth, a Economist diz que a empresa espera que as vendas no setor alcancem a marca de US$ 800 milhões (R$ 1,4 bilhão) em 2015. Segundo a revista, outras empresas que estão entrando nesse negócio são a Cipla, fabricante de genéricos da Índia, e a Desano Pharma, da China.

Acesso a novas tecnologias e popularização

Viren Mehta, um especialista em temas da indústria farmacêutica ouvido pela reportagem da revista, afirma que as empresas de genéricos devem ser mais bem-sucedidas no mercado de biossimilares do que têm sido com medicamentos convencionais. O presidente da Sandoz afirmou a Economist que as maiores fabricantes de genéricos têm acesso a tecnologias mais desenvolvidas atualmente e que a indicação e o uso de cópias de remédios já se tornaram algo mais comum, tanto para pacientes quanto para médicos.

O texto aponta, entretanto, uma dificuldade para o mercado dos similares de produtos biotecnológicos: a complexidade envolvida no processo de fabricação. A questão principal é que a "ciência envolvida na fabricação de biossimilares é muito mais complicada do que a da produção de genéricos comuns", declarou o consultor Andrew Pasternak, da empresa Bain & Company, à revista. "Uma droga genérica típica pode custar alguns milhões de dólares para ser desenvolvida", estima o entrevistado; "mas uma versão biossimilar pode custar talvez US$ 100 milhões a US$ 150 milhões [R$ 170 milhões a R$ 254 milhões]". Além disso, ressalta a revista, o fato de esses similares não serem uma cópia idêntica dos medicamentos biotecnológicos pode implicar em problemas com órgãos reguladores dos diversos países; essa especificidade pode fazer com que essa entrada nos mercados não ocorra com a facilidade com que ocorre com os genéricos em muitos lugares.

Vantagem competitiva das gigantes

Para a Economist, quem leva a vantagem na superação desse obstáculo representado pela tecnologia de fabricação são as tradicionais gigantes farmacêuticas; outro problema destacado para o setor é a necessidade de aval de um médico para que o paciente possa comprar um similar em lugar de um original biotecnológico nas farmácias. "As grandes empresas farmacêuticas serão beneficiadas pela sua máquina de marketing e por suas grandes forças técnicas de vendas para persuadir médicos a prescrever uma droga", defende a revista. O executivo Michael Kamarck, da Merck que entrou para o mercado de biossimilares em 2008 , afirmou à revista que as barreiras para a entrada de novas empresas no negócio são tão grandes que apenas um pequeno grupo de firmas terá sucesso.

A disputa pelas margens de lucro com cópias mais baratas dessas drogas dá indícios de que será travada por meio de parcerias entre empresas; não só por causa dos custos, destaca a reportagem, mas principalmente pela possibilidade de ações judiciais das gigantes de biotecnologia detentoras da propriedade intelectual dos produtos. O consultor Andrew Pasternak ressalta que empresas como a Amgen e a Genentech (que agora pertence à Roche) "têm bilhões de dólares em vendas sob risco". Para defender essa fatia do mercado, prevê Pasternak, essas firmas grandes vão "lutar duramente". (G.G.)

    

   
   
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